Cristiano Ronaldo pode ser suspenso por até seis meses e o caso virou guerra de declarações

O artigo 160 do regulamento português prevê de um a seis meses de suspensão para Cristiano Ronaldo. Veja o que diz a regra e o que Portugal fez sem ele.
Cristiano Ronaldo saiu da concentração de Portugal na véspera de um jogo oficial e, cinco dias depois, a história cresceu em vez de esfriar. Agora existe um artigo de regulamento em cima da mesa, uma camisa 7 com dono novo e uma briga pública envolvendo gente que nem está no vestiário. Abaixo, o que está escrito na regra, o que já aconteceu em campo e o que continua sem resposta.
A regra que pode punir Cristiano Ronaldo
O Regulamento Disciplinar da Federação Portuguesa de Futebol tem um artigo feito exatamente para esse tipo de situação, o 160.
O texto diz que o jogador regularmente convocado que abandone ou não compareça de forma injustificada a treino, jogo ou atividade das seleções nacionais é sancionado com suspensão de um a seis meses, mais multa entre 5 e 10 unidades de conta se for profissional.
E tem um detalhe pesado no número 2 do mesmo artigo. A ausência ou o abandono determina a suspensão preventiva automática do jogador.
Na prática, a punição é mesmo certa?
Não. Até agora não houve confirmação oficial de processo aberto, e quem decide é a própria federação.
E aí a conta fica complicada. Punir o capitão e maior artilheiro da história da seleção não é só uma decisão técnica, é uma decisão com custo político.
Processos assim costumam andar devagar justamente por isso. Enquanto não houver anúncio formal, tudo o que existe é o texto da regra, não uma pena aplicada.
Portugal venceu sem ele, e isso mudou o jogo
No dia 1º de outubro, em Copenhague, Portugal bateu a Dinamarca por 4 a 2 fora de casa.
Marcaram João Cancelo, Gonçalo Ramos, Vitinha e João Félix, com Mikkel Damsgaard e Rasmus Hojlund descontando para os donos da casa.
Com o resultado, Portugal chegou a nove pontos em três jogos e lidera isolado o grupo A4 da Liga das Nações. Dinamarca, Noruega e País de Gales têm três cada.
Jorge Jesus não perdeu a chance. Disse que aquele foi o melhor jogo da equipe até ali e que tem um grupo que acredita nas ideias do treinador.
Nada enfraquece mais um argumento do tipo "sem mim o time não anda" do que uma vitória por quatro gols fora de casa.
A camisa 7 ganhou dono novo
Com a saída, o número ficou vago e precisou ser redistribuído, porque a Liga das Nações exige numeração fixa de 1 a 23 ao longo da competição.
Quem herdou foi Rafael Leão, que no Milan costuma jogar com o 17.
Parece burocracia, mas virou símbolo. Em Portugal, a camisa 7 e o nome de Cristiano Ronaldo são a mesma coisa há quase duas décadas.
A guerra de declarações que manteve o assunto vivo
O episódio ganhou um segundo capítulo fora de campo, e foi o próprio Cristiano quem acendeu o pavio.
Ele curtiu um vídeo em que Felipe Melo compara o tratamento que Portugal dá a ele com o tratamento que a Argentina dá a Messi.
Na fala, Felipe Melo diz que há uma diferença grotesca na forma como os portugueses tratam Cristiano Ronaldo e como os argentinos tratam Messi, e que vê muito mais respeito do outro lado. Em outro trecho, afirma que ninguém ali chega ao tornozelo dele e que não dá para deixar o maior da história sair do nada.
Um simples toque de curtida foi lido em Portugal como tomada de posição, e os principais veículos esportivos do país trataram o gesto como manchete.
Do lado inglês, o apresentador Piers Morgan foi para cima de Jorge Jesus nas redes, chamou o treinador de arrogante e disse que ele nunca foi bom o bastante para jogar pela seleção portuguesa.
O que ainda está em aberto?
São três pontas soltas, e nenhuma delas se resolve esta semana.
A primeira é disciplinar, porque a federação ainda não disse se vai abrir processo. A segunda é a convocação de novembro, que vai funcionar como resposta prática.
A terceira é a promessa que ele mesmo fez ao anunciar a saída, de que diria a verdade a todos os portugueses no momento certo. Enquanto essa fala não vem, a história não acaba.
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